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29 de julho de 2018
Geografia
29 de julho de 2018

Natureza da Serra do Cipó

Para muitas pessoas a Serra do Cipó é um local místico, uma terra de cristais e discos voadores, para outras é local propício para a prática de inúmeras modalidades de esportes radicais, mas não há dúvida, em geral é a beleza e pureza das águas que atraem o maior número de visitantes.

Na região, além de toda infra-estrutura para receber turistas, destacam-se as ricas festas populares e religiosas, que mantêm vivos o folclore e a tradição do interior de Minas. Um lugar que parece ter saído dos causos antigos aonde a água é pura, o povo é hospitaleiro e o tempo passa devagar

Ecosistemas

Campos Rupestres

A maior parte da Serra do Cipó é ocupada por campos rupestres, vegetação que ocorre em solos rasos e pobres em nutrientes, muito pedregosos e are­nosos. Nas baixas altitudes, o campo rupestre apresenta espécies do cerrado em meio a espécies típicas do campo rupestre, como os cactáceos. Também ocorrem numerosos cur­sos-d’água, com nascentes brejosas (algumas vezes silvestres) e cor­rentes sobre pedras (lajes e pedras roladas) e com muitas cachoeiras e corre­deiras, geralmente estacionais (correntes apenas em épocas chuvosas). Estes córregos pere­nes apre­sentam flora especializada, sendo ca­racterística a ‘taioba’ ou ‘imbé’

Nas grandes altitu­des, acima de 1000 metros, são comuns os cam­pos de altitude, modalidade do campo rupestre caracterizada por serem desprovidos de pedras aflorantes, geralmente muito úmidos (encharcados nas épocas chuvosas), com pre­do­mínio de capins, sem­pre-vivas e abundância de orquídeas terrestres.

Muitas vezes é difícil separar as duas fisionomias (campo rupestre e campo de altitude), pois o campo de altitude, úmido, aparece por vezes entremeado com grandes rochas, misturando-se a flora com a do campo rupestre. Muitas vezes as rochas abundantes estão completamente ocultas no solo, dando a impressão de campos úmidos, mas com flora característica do campo rupestre não alagável.

Além de campos rupestres, o Parque Nacional da Serra do Cipó apre­senta áreas expressivas com campos (ricos em gramí­neas e ciperáceas), cerrado (em ten­são ecológica com campos ru­pestres) e cerra­dões, matas com feições e floras di­versifica­das (de al­ti­tude, de brejo, ripárias) e ambientes aquáti­cos (rios, ribeirões, brejos e la­goas anexas a cursos-d’água).

O Parque Nacio­nal da Serra do Cipó apre­senta ainda aflora­mentos ro­chosos (predomi­nantemente de quart­zito, com áreas limitadas de mármore metacalcário e de con­glomerados de ferro e manga­nês – lateritas) com flora es­pecializada (como líquens, orquídeas e cactos).

A Área de Pro­teção Ambien­tal Morro da Pedreira, unidade de conserva­ção fe­deral que envolve completa­mente o Parque Na­cional (incluindo a Reserva Parti­cular do Pa­tri­mônio Natural; RPPN Mata da Cachoeira, tam­bém federal) possui pequenos afloramentos de granito, diabásio e gnaisse calcário, além de afloramentos extensos de mármore (calcário alta­mente metamorfizado). Mas a fisionomia mais expressiva na APA Morro da Pedreira é o campo rupestre, com suas duas feições (campo rupestre senso estrito e campo de altitude).

Cerrado

Cerrado é vegetação rica em espécies endêmicas¹, caracterizada por árvores relativamente baixas, com flora específica, cres­cendo em solos muito ácidos, geralmente muito férteis, mas pobres em fósforo e cálcio. O cerrado é mais comum a baixas al­titudes, com fisionomias desde muito abertas (campo limpo) até silvestres (cerra­dões). Exis­tem ‘manchas’ de cerrado no alto da serra, até a 1500 metros de altitude. Ocorrem poucas plantas trepa­deiras e raras plantas com espinhos. Em todo o Brasil a destruição do cerrado é rápida, para formação de áreas agrícolas e de pastagens.

Algumas espécies são típicas dos cerrados do Cipó: as bromeliáceas ‘ananaz do campo’ e ‘gravatá’, o ‘articum’, o ‘cajuí’, o ‘pequizeiro’ e a ‘cagaiteira’. Diversos ‘paus-terra’ de flores grandes e vistosas ocorrem na Serra do Cipó, ao lado da ‘mangabeira’, da ‘lobeira’ e das leguminosas ‘barbatimão’, ‘sapuvuçu’, ‘monjolo’, ‘jatobádocampo’, ‘sucupira-preta’ e ‘vinhático do campo’.

Matas ciliares

São representativas as áreas de matas ciliares, na qual abundam: ‘pau d’óleo’, ‘monjolo’, ‘tamanqueira’, ‘tapiá guaçu’, ‘pau pombo’ e o ‘ingazeiro banana’. Ocorre nessas matas ao longo dos rios e córregos o ‘jequitibá’, de grande porte, porém em baixa densidade ecológica². Plantas trepadeiras são abundantes, como o ‘timbó’.

Matas de brejo (mananciais) são relativamente raras na região, apresentando ‘cana do brejo’ e ‘biri do brejo’, herbáceas, o arbusto ‘capeba’ e as árvores ‘cedro do brejo’, ‘gameleira’ e ‘pinha do brejo’.

Mananciais ou nascentes

são locais onde aflora a água dos lençóis freáticos. Algumas vezes apresenta ‘fervedores’, ‘olhos d’água’ ou minas de barranco, com ou sem lagoas, mas frequentemente são áreas encharcadas relativamente extensas, com brejos abertos ou matas, nas quais nascem um ou mais córregos.

Mata atlântica

No extremo norte e nordeste do Parque ocorrem áreas de mata atlântica típica, na qual ocorrem a grande palmeira ‘indaiá’ e o ‘palmi­teiro’ ou ‘juçara’, com muitas plantas epífitas. Apresenta flora e fauna distinta daquelas da re­gião do cerrado a oeste.

Mata semidecídua

A oeste da Serra do Cipó ocorrem áreas de matas cujas árvores per­dem as folhas anualmente, embora muitas espé­cies as rentenham. Essa mata semidecídua tem flora variável, conforme as rochas que ori­ginaram os respectivos solos, e conforme a aci­dez e a pedregosidade dos solos. As matas secas são estacionais e semidecíduas, ou seja, muitas de suas espécies perde as folhas total ou parcialmente na estação seca. Grande parte das matas do Brasil planáltico apresenta esse comportamento.

Por não ser a mata semidecídua especialmente protegida por lei, as área de matas com essa feição, por mais ricas em biodiversidade que sejam, estão sendo rapidamente destruídas, especialmente pelos meios legais, ou seja, após processo de autori­zação de desmate segundo as leis vigentes. Restam, portanto, muitas áreas de matas de extensão pequena, disjuntas e praticamente sem conexão entre si, pois as matas ciliares não são respeitadas. Proprietários rurais permitem a entrada de gado nas matas, por não cercá-las. O capim penetra nas áreas danificadas pelo gado, permitindo que o fogo avance no interior dos remanescentes silvestres. Esses fatores somados vão aos poucos impedindo a regeneração e transformando as poucas matas em áreas abertas de pasto, rapidamente destruídas pelo excesso de pastoreio, pela erosão e pelo endurecimento dos solos (laterização).

Endemismos

Muitas espécies da Serra do Cipó são en­dê­micas, tendo distribuição limitada a tre­chos do Maciço do Espinhaço. Os campos rupestres e os campos de altitude são especi­al­mente ricos em endemismos, como Vello­zia gi­gantea e Vellozia piresiana (Veloziá­ceas), Constantia cipoensis (Orquidáceas) e Cocco­loba cereifera (Poligonáceas). Na parte baixa do Parque ocorre o cacto endêmico Arthroce­reus odorus (Cactáceas), que só existe na Serra do Cipó, em campos rupestres secos com cer­rado, abaixo de 900 metros de altitude. A maioria das plantas dessa espécie se encontra em campos rupestres com cerrado denso no entorno imediato do Parque Nacional.

¹Espécies endêmicas são as espécies cuja distribuição total se restringe a áreas relativamente pequenas, como uma re­gião ou um Estado, ou se limita a uma dada formação vegetal, como o cerrado. Diz-se, então: ‘essa espécie é endêmica da Serra do Cipó’ ou ‘endêmica do cer­rado’.

²Densidade ecológica é uma das formas de expressar se uma dada espécie é co­mum ou rara, em número de indivíduos por unidade de área em ambiente favo­rável. Diz-se: ‘O jequitibá apresenta densidade de tantos indivíduos por hectare de mata ciliar’.

Fonte: Celso do Lago Paiva

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